Dia 22 de Janeiro (Domingo), no Hospital de Santa Maria na Unidade de Pneumologia Pediátrica.
Estava eu muito bem a lanchar na sala de actividades com o meu pai quando de repente chega a Enfermeira e diz:
-“Chega, já não podes comer mais!”
-“Então mas porquê?”
-“A Dr.Luísa ligou à bocadinho para o serviço e disse que não podias comer mais nada”
-“Então mas porquê? O que é que se passa?”
-“Há de novo uns possíveis pulmões compatíveis com os teus!” (Era a 2ª vez que me chamavam para possível transplante)
-“Então e agora?”
-“Agora esperamos novamente pelo telefonema da Dra. Luísa a confirmar a compatibilidade”
(…)
Eu e o meu pai não estavamos a acreditar… Ainda na sexta-feira à noite tinha sido chamada pela primeira vez porque apareceram uns pulmões compatíveis até já estava pronta para ir para o bloco mas à última da hora não fui transplantada porque os pulmões não estavam em condições. Dois dias depois já apareceram outros? Será possível? Desta vez também estava mais calma, parece que na sexta-feira até foi uma especie de preparação para saber como iria ser.
Entretanto chega novamente a Enfermeira e confirma. Eram sim, para mim. Claro, aí o coração dispara de nervosismo mas ao mesmo tempo de uma enorme alegria, tive que avisar logo o mundo inteiro! Eu e o meu pai dirigimo-nos para o quarto arrumámos as coisas mais importantes que depois iriamos precisar.
A seguir liguei para a minha mãe e para a minha mana e elas também acharam que era brincadeira e quando perceberam que era asério, entraram em panico, não conseguiam pensar nem reagir. Tinham que se despachar rapidamente, não havia tempo a perder, todo o tempo era precioso.
Depois chegam os Bombeiros e Enfermeiros com a maca. Deito-me, a Médica ligou-me ao monitor, tudo controlado, entro na ambulancia e seguimos para o Hospital de Santa Marta!
A viagem foi como uma montanha russa, a ambulancia quase que voava!